O carioca Carlos Saldanha, diretor responsável pela franquia "A Era do Gelo", conseguiu o improvável: vencer em Hollywood. Nome quente no mercado americano, Saldanha aproveitou o período de divulgação do terceiro filme da série, lançado na última sexta no circuito brasileiro, para conversar com a coluna sobre cinema, futuros projetos e sua forte ligação com Resende. (matéria publicada hoje no jornal 'A Voz da cidade')
Carlos Saldanha: O desafio maior foi o de encontrar uma história que trouxesse novidades, sem desvirtuar a essência dos personagens; afinal, o público os adora! Todo o trabalho de concepção do roteiro e da criação dos novos personagens, tinha um foco na inovação, nas novidades, mas sem perder as características desenvolvidas nos dois filmes anteriores.
2 - O sucesso deste terceiro filme pode influenciar a realização de um quarto episódio?
Carlos Saldanha: Acredito que neste momento os produtores estão conversando sobre um novo episódio para o cinema. Meu envolvimento com a franquia termina com este filme. Tenho outros projetos para desenvolver, quero contar outras histórias, mas creio que é possível um "A Era do Gelo 4".
3 - Você tem vontade de dirigir um filme com atores, ou a animação supre todas as suas necessidades como cineasta?
Carlos Saldanha: Eu adoro o que faço. Adoro fazer desenho animado. É o que sei fazer bem, mas não descarto a possibilidade de dirigir um filme com atores, se a história que eu quiser contar necessitar de atores para ser realizada. Mas tenho curiosidade de fazer um filme que não seja animado, mas é um projeto para o futuro. No momento estou completamente realizado no mundo da animação.
4 - Sua experiência com animação começou ainda no Brasil ou foi um mercado que você descobriu ao chegar nos EUA?
4 - Sua experiência com animação começou ainda no Brasil ou foi um mercado que você descobriu ao chegar nos EUA?
Carlos Saldanha: Eu nunca fiz animação no Brasil. Saí do país em busca do aprendizado na área. Quando imaginei trabalhar com desenho animado e computação gráfica vi que o Brasil não oferecia cursos de especialização, por isto fui para os EUA. Atualmente acompanho o desenvolvimento da animação no Brasil e vejo que avançamos muito em relação ao que se fazia há vinte anos, por exemplo. Naquela época a animação para cinema praticamente se restringia aos filmes da Turma da Mônica. O pouco trabalho que tinha era voltado para a publicidade e a criação de vinhetas para TV.
5 - Você nasceu no Rio de Janeiro mas sei que morou um tempo em Resende. Que lembranças você guarda deste período na cidade?
5 - Você nasceu no Rio de Janeiro mas sei que morou um tempo em Resende. Que lembranças você guarda deste período na cidade?
Carlos Saldanha: Meu pai foi trabalhar na Academia Militar das Agulhas Negras e acabei morando em Resende por três anos, na Vila Militar. Foi um período muito importante da minha vida, entre onze e quatorze anos, e guardo boas lembranças dos amigos do Colégio Dom Bosco, com quem ainda mantenho contato. Sempre que venho ao Brasil visitar os familiares, passo por Resende para encontrar uma irmã que ainda mora por aí. Lembro que foi uma época em que me diverti muito.
6 - As revistas e sites especializados em cinema anunciaram que seu próximo projeto é um desenho animado chamado "Rio". Você pode adiantar alguma coisa sobre este novo filme?
Carlos Saldanha: É um projeto ainda embrionário que tem título provisório de "Rio", e que conta a história de uma arara que vive em cativeiro nos EUA. Quando ela tem a oportunidade de conhecer o Brasil, ela se encanta com as cores do país, a música, o carnaval, e passa a perceber o valor da liberdade.

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